Juiz de Fora, 14 de junho de 2021
Hoje pela manhã, estava fazendo meu trajeto como de costume a caminho do trabalho. Descendo a Av. Itamar Franco, me deparei com uma cena que mexeu muito comigo e me fez refletir sobre muita coisa.
Enquanto aguardava o sinal para atravessar a rua, vi uma criança de aproximadamente 8 anos de idade se preparando para sua apresentação, com o intuito de gerar algum entretenimento aos motoristas que aguardavam ansiosos no sinal.
Quando as luzes vermelhas pararam os carros, o palco estava pronto. Era chegada sua hora. Ele apanhou suas ferramentas e, assim como um jogador ao entrar em campo, se ajoelhou, fez o sinal da cruz e foi para a faixa como quem fosse cobrar um pênalti decisivo em uma final de Copa.
Com menos de um minuto para mostrar seu talento, ele se deparou com uma torcida adversa, um ambiente hostil, um adversário duro, mas com uma vontade imensurável de vencer e conseguir ajudar no sustento da casa.
Presenciar essa cena me fez pensar em como nossa realidade é obscura e como nossos valores estão invertidos.
Uma criança deveria estar na escola, e sua única preocupação deveria ser como desbloquear um mapa novo no Minecraft.
Quantos sonhos estão ali sendo amputados de forma precoce?
Quantos procuram um caminho mais fácil nessa guerra desleal?
A cada cadeira de escola vazia, é um provável corpo a mais se espremendo numa cela.
Fico contente por ver um garoto desde novo buscando o certo, de forma digna, mas indignado pelo fato de ele ter que fazê-lo.
Infelizmente, cenas como essa estão cada dia mais comuns e, quase sempre, são invisíveis aos nossos olhos.
Sigo por aqui, mesmo de longe, torcendo por esse garoto e por tantos outros que se encontram nessa situação.
Eu sei, às vezes ficamos de mãos atadas, mas nunca devemos perder a esperança ou fechar os olhos para nossa realidade.
Que a esperança prevaleça.
Que o mundo se cure.
E que sonhos sejam livres.
Texto: Luiz André Neto

